Multissítio para soja: seu papel para a maior cultura do país

O grão é a principal fonte de renda dos produtores rurais e lidera o ranking de produtos mais exportados desde 1997

22/05/2020 00:17:54

Atualizado:

22/05/2020 00:18:39

Multissítios ajudam a prevenir lavoura de soja do ataque de doenças

O Brasil ocupa a primeira posição na produção mundial de soja. Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a área plantada destinada ao grão no país ultrapassou os 36 milhões de hectares, com produtividade média de 3.206 kg/ha. Para este ano, a produção estimada é de 115 milhões de toneladas do grão.

São números expressivos, resultado dos investimentos em tecnologia e inovação que passam desde o tratamento de sementes e manejo de qualidade durante o desenvolvimento da planta, até o momento da colheita e comercialização.

Cada vez mais, o produtor rural tem buscado as melhores soluções para garantir a sanidade da planta, boa produtividade e uma safra que proporcione maior rentabilidade.

Alcançar resultados como estes, considerando todas as ameaças que cercam a produção, é uma tarefa que tem se tornado mais fácil ao longo dos anos. No entanto, nem por isso o agricultor pode se descuidar. É preciso atenção para reconhecer as melhores formas de realizar o manejo da lavoura e escolher os produtos mais indicados para o controle das doenças.

A importância da soja no mercado nacional

Considerada a principal cultura do agronegócio brasileiro, a soja é uma planta originária da região de Manchúria, no nordeste da China. Levada para a Europa no século XVII, permaneceu por mais de duzentos anos como uma curiosidade botânica.

No Brasil, a primeira referência ao grão data de 1882, na Bahia. No Nordeste, o cultivo não se deu de forma positiva sendo, em 1891, expandido para o Sudeste. No entanto, foi apenas a partir de 1924, já no Sul do país, que a cultura foi introduzida e tiveram início os primeiros plantios comerciais.

A partir da década de 1970, o Brasil começou a se destacar na produção de soja até chegar ao patamar de hoje, se tornando a principal fonte do produto no mundo.

A cultura vem ganhando cada vez mais espaço, em especial por conta da rentabilidade equilibrada ao longo dos anos.

Tendo os estados do Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso do Sul como os principais produtores de soja, o Brasil ainda se destaca por ser considerado um dos países com maior potencial de expansão em área cultivada.

Exportação em alta

A cada ano, o agronegócio brasileiro se mantém como fonte de boas notícias, com o setor ganhando cada vez mais peso nas exportações e no PIB (Produto Interno Bruto) do país.

No Brasil, a soja – ainda pouco consumida na alimentação humana por não fazer parte do hábito alimentar do brasileiro – lidera o ranking de produtos mais exportados há mais de duas décadas. Para este ano, a estimativa da consultoria Datagro é de que o país atinja a marca de 74,3 milhões de toneladas exportadas.

Entre os estados que mais exportam o grão, se destaca o Mato Grosso. Um levantamento da FIA (Fundação Instituto de Administração), do início deste ano, apontou que a China é o país que tem recebido a maior parte dessas exportações, com o total de 78%.

Outro levantamento apontou que, nos últimos anos, as exportações de soja brasileira para o país oriental subiram cerca de 30%, movimentando 68,8 milhões de toneladas.

O Brasil, aliás, tem se tornado o principal fornecedor do grão para os chineses, em especial, por consequência da guerra comercial que se estabelece entre China e Estados Unidos há anos e que interfere diretamente na comercialização de produtos entre as duas potências.

Fungicidas: a evolução

Os resultados cada vez mais positivos da cultura da soja têm uma ligação direta com a ação de fungicidas na lavoura. O uso deste produto tem se mostrado uma solução cada vez mais eficaz diante de um cenário onde doenças como a ferrugem asiática e o crestamento foliar, por exemplo, têm se tornado mais resistentes à ação de produtos de controle específico.

Para compreender a importância dos fungicidas na lavoura e como sua tecnologia evoluiu, é importante entender o caminho de pesquisas e testes traçado até aqui.

O uso de substâncias químicas com propriedades fungicidas existe desde a Antiguidade, quando os gregos utilizavam enxofre para eliminar o que eles chamavam de pestes.

De origem natural ou sintética, os fungicidas são agentes capazes de prevenir as plantas contra infecções por fungos.

Estudos apontam que no início do século XVIII era muito utilizado o cloreto de mercúrio no combate do carvão do trigo - doença causada por fungos que dava uma coloração preta, semelhante ao carvão, à planta.

O primeiro fungicida foi desenvolvido em 1807, para tratamento de sementes. À base de cobre inorgânico, era fitotóxico para as plantas. Logo em seguida, o enxofre foi oficializado na Inglaterra como composto fungicida.

No início da década de 1880, acidentalmente descobriu-se o valor fungicida da calda bordalesa, descoberta que marcou a história da utilização dos fungicidas.

Em 1886, uma formulação comercial de enxofre e cal líquida foi introduzida nos EUA, tornando-se o primeiro fungicida erradicante.

Já em 1908, na tentativa de tornar a mistura enxofre-cal menos fitotóxica, foi desenvolvida uma nova substância, denominada de calda sulfo-cálcica.

Em 1934, foi relatada a fungitoxicidade dos ditiocarbamatos, contribuição que marcou o início da era dos fungicidas orgânicos.

No ano de 1966, a atividade sistêmica fungicida dos derivados do carboxin e oxycarboxin para tratamento de sementes determinou o começo da era dos fungicidas sistêmicos.

A partir de então, diversos fungicidas sistêmicos, protetores e misturas de fungicidas foram

desenvolvidos, sempre buscando o maior controle de doenças. No começo da década de 1990 surgiu o difenoconazole, para uso em manchas foliares e doenças de final de ciclo em soja. Por fim, no final da mesma década, surgiu o grupo das estrobilurinas.

Enquanto na década de 1960/70, os produtos tinham uma estrutura química mais simples, desenvolvida para o tratamento preventivo, com o tempo a tecnologia evoluiu. Os fungicidas passaram a ter estruturas mais complexas, à base de produtos naturais e com ações específicas voltadas para o tratamento curativo.

Como agem os fungicidas

Um fungicida possui uma combinação química que não tem como principal função a morte do fungo. Em alguns casos, deve cumprir o papel de controlar o desenvolvimento da doença, retardando o crescimento miceliano ou a esporulação.

Entre os tipos existentes, estão:

  • Fungicidas protetores ou de contato: efetivos quando aplicados antes do ataque do patógeno no hospedeiro, têm o objetivo de impedir ou reduzir as chances de ocorrência da doença;
  • Fungicidas de ação erradicante: atuam diretamente sobre o patógeno com o objetivo de eliminá-lo da superfície da planta ou do solo e
  • Fungicidas sistêmicos: o princípio ativo é absorvido pela planta e translocado para partes distantes do local de aplicação, aumentando sua capacidade de inibir a infecção do patógeno.

Eles podem ainda ser classificados de acordo com:

  • mobilidade na planta: sendo indicados os fungicidas protetores, sistêmicos e mesostêmicos;
  • momento da aplicação de acordo com o processo infeccioso: preventivo, curativo ou erradicante;
  • absorção pelo esporo: contato ou residual;
  • natureza química: inorgânico, orgânico ou antibiótico e
  • mecanismo de ação.

Multissítio ou sítio-específico?

O uso de fungicidas é uma necessidade para o manejo da lavoura por consequência dos problemas de resistência causados pelas doenças que atacam a cultura da soja. De acordo com o tipo de infestação, é indicado um produto, analisando seu modo de ação.

Dentro dessa necessidade, pode ser apontado o uso dos fungicidas de sítio-específico que, como o próprio nome indica, possuem apenas um local de ação no fungo. Neste grupo se encontram os triazóis (inibidores da DeMetilação), estrobilurinas (inibidores da quinona externa) e os carboxamidas (inibidores da Succinato Desidrogenase).

Por terem um único local de ação, com este tipo de fungicida o fungo pode sofrer mutação no sítio bioquímico (seu sítio-alvo), o que pode resultar em uma linhagem mais resistente.

Neste caso, é indicado o uso de fungicidas multissítios, que servem tanto para o controle de doenças quanto para estratégia antirresistência.

Denominados normalmente de fungicidas protetores, os multissítios agem com o objetivo de interferir em vários processos metabólicos do fungo simultaneamente. Eles inibem a germinação de esporos e geram uma barreira química entre a planta e o inóculo do fungo. Deste modo, o fungo teria que sofrer muitas mutações para desenvolver uma nova resistência ao produto.

Fazem parte desse grupo Mancozebe, Manebe, Tiram, Metiram, Propinebe, Zinebe, Ziram, Clorotalonil, compostos estanhados, sulfúricos, cúpricos, entre outros.

Também chamados de fungicidas protetores, não sistêmicos, os multissítios formam uma camada protetora tóxica na superfície da folha e, quando o inóculo (esporo) germina sobre a superfície vegetal, o tubo germinativo entra em contato com o produto, absorvendo-o

e ocasionando sua morte.

A associação de multissítios com sítio-específicos, além contribuir para maior vida útil dos fungicidas, ajuda a controlar as doenças, mantendo a sustentabilidade da lavoura.

Doenças: não deixe que elas acabem com sua lavoura

Motivo de preocupação para os produtores rurais, as doenças podem comprometer a produtividade da lavoura de soja, gerando grandes prejuízos. Estudos apontam que entre 15 e 20% das reduções anuais de produção de soja têm alguma doença como causa.

Entre as ameaças que atacam a soja e que podem exemplificar a resistência aos fungicidas comuns, é possível destacar:

  • Ferrugem asiática

Presente no país desde 2001, quando foram registradas as primeiras ocorrências, a doença se tornou um desafio a ser enfrentado pelo sojicultor. Causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, a ferrugem asiática ocorre em todas as regiões produtoras do grão no país e tem fácil disseminação pelo vento.

A doença pode ser percebida no início por pontuações de coloração escura e borda amarelada no tecido foliar superior. Na parte inferior da folha, formam-se urédias onde o fungo produz seus uredósporos, que propagam a doença por toda a planta.

Como consequência, acontece a desfolha precoce, que impede a formação dos grãos e resulta na redução significativa da produtividade.

  • Mancha-alvo

Causada pelo fungo Corynespora cassiicola, a mancha-alvo teve sua primeira ocorrência no Brasil registrada em 2005 e até hoje é sinônimo de prejuízo para as lavouras de soja. O patógeno cosmopolita é encontrado em todas as regiões produtoras do país, atacando, além dessa cultura, mais de 50 outras famílias de plantas.

Em suas primeiras infestações, a mancha-alvo gera lesões na cor bege, com o contorno em amarelo que, com o passar do tempo, tornam-se grandes manchas em formas de círculo que podem chegar aos 2 cm de diâmetro.

Quando a planta é infectada, todas as folhas passam pelo processo de amarelamento, até que a doença atinja a raiz, resultando na morte da cultivar.

  • Antracnose

A doença ocorre na fase inicial de formação das vagens e é causada pelo fungo Colletotrichum dematium var. truncata. Com maior incidência no Cerrado, já que a intensidade da antracnose está associada à temperaturas altas, não se limita apenas à planta, podendo se manifestar também na semente da soja.

É possível perceber o ataque da doença quando surgem partes sombreadas nas vagens em início de formação. Com o passar do tempo, os ramos ficam tenros e as vagens no estágio R3-R4 ficam retorcidas e escuras. As plântulas que crescem de sementes infectadas têm aparência necrótica e, quando se estende ao hipocótilo, causam o tombamento da planta. Na hora da colheita, o prejuízo pode reduzir até dez sacas por hectare.

  • Cercospora Kikuchii

Apontada como uma doença de final de ciclo, a Cercospora kikuchii pode atacar as folhas e, dependendo de sua intensidade, atingir também os grãos.

O fungo da Cercospora kikuchii causa o chamado crestamento foliar e, além das folhas, pode atingir também as vagens e, consequentemente, os grãos (ou sementes) causando a mancha-púrpura, nome em referência à coloração que adquirem após a infecção.

Um dos fatores que acabam contribuindo para a disseminação do fungo é o seu período de latência na plantação: ele pode permanecer em restos culturais - como a palhada - e também ser disseminados pelas sementes.

De difícil percepção, a Cercospora tem entre suas características principais pontuações escuras nas folhas, com coloração castanho-avermelhado, que causam grandes manchas com bordas difusas.

Além disso, o fungo provoca pontos castanho-avermelhados nas vagens, manchas vermelhas nas hastes e queda prematura das folhas.

O parceiro ideal para o controle de resistência

Investir em técnicas de manejo de resistência acessíveis e de qualidade para o produtor de soja é uma ação micro, que tem um impacto macro, em especial quando se trata da magnitude que a commodity representa para o Brasil.

Na hora de escolher a forma de combater a incidência de doenças causadas pela presença de fungos na lavoura, é importante levar em consideração alguns pontos: o primeiro é compreender qual é a doença que precisa ser combatida, para buscar o produto mais eficaz naquele momento.

Atentar-se ao espectro de ação também é fundamental. A lavoura pode ser infectada ao mesmo tempo por mais de uma doença, oriunda de mais de um tipo de fungo.

Observar o momento em que a doença está em relação ao desenvolvimento da planta é outro fator imprescindível.

Quando se trata de grandes culturas, a exemplo da soja, o uso de um fungicida com bom efeito residual junto a um multissítio potencializa os resultados, ampliando o período de proteção da planta e descartando a necessidade de muitas aplicações num curto intervalo de tempo.

Atenta às necessidades do produtor rural, a Syngenta desenvolveu o Bravonil, multissítio

essencial no manejo de resistência que, associado a outros fungicidas, age com eficácia no controle do complexo de doenças da soja.

Entre os diferenciais do produto em relação aos concorrentes estão:

  • Conveniência: não danifica o sistema de aplicação e não entope o bico.
  • Aderência: melhor cobertura foliar e alta resistência à chuva;
  • Amplo espectro: alto controle de ferrugem asiática e complexo de doenças de final de ciclo;
  • Manejo de resistência: protege a lavoura e as tecnologias fungicidas e

Bravonil, quando combinado com fungicidas de sítio-específico, prolonga a ação, retarda a resistência dos fungos, possibilita a sanidade da planta e a qualidade do grão.

Com sua tecnologia Bravo, que permite que o produto se espalhe melhor, Bravonil é formulado com clorotalonil, molécula protetora e com alto potencial de controle. O produto representa proteção para a lavoura, combinando tecnologia e inovação.

Para saber mais sobre as soluções e tecnologias que auxiliam no manejo de sua lavoura, sempre em busca de qualidade, sanidade e produtividade, acesse o portfólio da Syngenta.

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