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Milho: combate assertivo às principais doenças foliares

Comprometendo a sanidade da cultura e a rentabilidade do produtor, a incidência de doenças pode gerar prejuízos na lavoura

25/05/2020 23:08:32

Cercosporiose e mancha-branca podem comprometer a sanidade da cultura e gerar prejuízos na lavoura

A cultura do milho é a segunda mais importante para a produção agrícola do Brasil. Cultivado no país desde o início de sua colonização, o grão faz parte do hábito alimentar da população e tem um importante papel na economia, gerado pela exportação para outros países.

Em 2019, o Brasil se tornou o maior exportador da cultura em todo o mundo, ultrapassando os Estados Unidos ao embarcar 44,9 milhões de toneladas. O volume representou um crescimento de 88% em relação a safra do ano anterior.

Esse novo patamar obtido com os bons resultados na exportação, é benéfico para os produtores rurais, já que ajuda na negociação dos preços altos do milho tanto no mercado interno quanto externo.

Atualmente, a maior parte do produto brasileiro exportado é usado para o consumo animal. Já o que fica no país é destinado ao consumo humano, animal e para geração de energia, além do uso na indústria farmacêutica, onde é empregado em aproximadamente 85 tipos diferentes de antibióticos.

A estimativa para a safra 2019/2020, segundo a consultoria Datagro, é que o país tenha potencial para alcançar 102,18 milhões de toneladas com a soma das duas safras do grão. A previsão para a área plantada é superior a 18 milhões de hectares, crescimento de 4% em relação à área do ano passado.

A cultura do milho no Brasil

Importante fonte energética, ao contrário do trigo e do arroz, que são refinados durante seus processos de industrialização, o milho conserva sua casca, que é rica em fibras.

Além disso, o grão é constituído de calorias, gordura puras, vitaminas (B e complexo A), sais naturais, óleo e grandes quantidades de açúcares, gorduras e celulose.

Considerado um dos alimentos mais nutritivos que existem, a cultura do milho passou por muitos anos a impressão de estar estagnada, tanto em área quanto em tecnologia e produtividade. 

Nos últimos anos, porém, o cenário mudou e começou a ser vista como uma alternativa economicamente viável, o que levou à incorporação de novas tecnologias e técnicas de manejo da lavoura.

Com isso, o milho passou a ocupar um novo patamar de produtividade e, junto de outras culturas, mudou o sistema produtivo brasileiro.

No Brasil, a produção é realizada através do plantio em duas épocas do ano. O milho primeira safra, mais tradicional, tem o cultivo realizado durante o período mais chuvoso e acontece no fim de agosto na região Sul do país e entre outubro e novembro no Sudeste e Centro-Oeste.

Já a segunda safra, chamada de “milho safrinha”, tem crescido de forma significativa nos últimos anos, sendo que o plantio ocorre depois da colheita da soja.

A janela de plantio ideal vai até março, no entanto, alguns produtores se arriscam a plantar após esse período, aumentando os riscos climáticos sobre a cultura.

Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), embora a segunda safra ocorra com condições climáticas desfavoráveis, há cada vez mais investimentos em técnicas para aprimorar e adaptar a lavoura, tornando este plantio sinônimo de rentabilidade.

A prática de ter duas safras ao longo do ano não acontece só no Brasil. China e Nigéria também têm duas épocas para realizar o plantio do grão. Na índia, assim como na Indonésia, as duas semeaduras acontecem nos períodos de solo mais úmido, com o crescimento do volume de chuva. Filipinas, México, Tailândia e Vietnã também adotam a mesma forma de cultivo, sempre buscando os períodos do ano que contribuem para o desenvolvimento da planta.

Entre os maiores estados produtores da cultura no país, segundo o LSPA (Levantamento Sistemático da Produção Agrícola), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), destacam-se, pelo percentual de produção de 2019:

  • Mato Grosso (28%);
  • Paraná (14,9%);
  • Rio Grande do Sul (14,3%);
  • Goiás (10%);
  • Mato Grosso do Sul (7,9%);
  • Minas Gerais (6%);
  • São Paulo (3,8%) e
  • Região do Matopiba (6,8%).

A produção brasileira de milho atingiu as 100 milhões de toneladas em 2019, mas a demanda do mercado interno, em especial dos frigoríficos e produtores de etanol, tem aumentado os preços do grão, segundo análise do Rabobank, multinacional holandesa bancária e de serviços financeiros.

Somente o consumo doméstico deve reter 68 milhões de toneladas do grão em 2020, número superior aos registrados no último ano.

A expectativa para os próximos meses é de crescimento vindo da demanda doméstica, com preços que devem continuar crescentes até a colheita do milho safrinha. Ainda de acordo com as projeções da multinacional holandesa, não existem indícios de que os preços possam registrar baixa no futuro, já que os frigoríficos do país têm comprado cada vez mais ração e as empresas de biocombustível pretendem aumentar sua produção.

Por conta das boas expectativas, é preciso atenção à lavoura. Afinal, a ação de doenças pode interferir na sanidade das plantas, gerando queda na produtividade.

Doenças: elas comprometem a produtividade

Para extrair da lavoura os melhores resultados, o milhocultor precisa estar atento a fatores que possam limitar o desenvolvimento da cultura. O aumento na densidade das plantas, aliado ao uso de cultivares suscetíveis a doenças e às condições climáticas favoráveis, podem gerar o cenário ideal para a incidência de doenças na produção.

O milho é atacado por diversos patógenos que se manifestam com facilidade em todas as regiões produtoras do país. E o possível prejuízo na lavoura está diretamente ligado à forma como o manejo da cultura é realizado.

Entre as principais doenças do milho, pela proporção dos danos causados, é importante estar atento a:

  • Cercosporiose

Identificada pela primeira vez na região Sudoeste do Brasil, nos anos 2000, a cercosporiose é causada pelo fungo Cercospora zeae-maydis. Atualmente, a ameaça possui grande distribuição em todas as áreas de plantio de milho do país e pode causar danos graves à lavoura.

A doença foliar encontra condições favoráveis para o seu desenvolvimento em temperaturas que variam entre 22°C e 30°C e com boa umidade relativa do ar. O patógeno leva até 14 dias para concluir o ciclo em híbrido suscetível, sendo que os que possuem algum tipo de resistência surgem depois de um ciclo de 21 dias.

A disseminação ocorre a partir de esporos e restos de cultura, que são levados pelo vento ou por respingos da chuva. Deste modo, o plantio de culturas similares, assim como a semeadura direta no mesmo espaço, torna-se fonte de inóculo local, favorecendo a ocorrência da doença.

Os sintomas percebidos no tecido foliar das plantas são manchas amareladas de tecido plesio necrótico predominantemente retangulares, medindo de 1 a 3 mm de comprimento, e de forma retangular.

Conforme o desenvolvimento da doença, que vai adquirindo coloração marrom escura, acontece a necrose de todo o tecido foliar.

Lesões em bainhas foliares, colmos e brácteas da espiga, sobretudo no ápice, ocorrem em lavouras severamente afetadas, causando o acamamento das plantas.

Mais comum durante o cultivo no milho safrinha, a cercosporiose pode gerar perdas superiores a 80%.

Sua principal medida de controle é o uso de híbrido resistente, além da rotação de culturas e os cuidados em relação ao plantio do milho safrinha sobre palha infectada. Tais ações interferem na densidade de inóculo do fungo.

Evitar a alta população de plantas que favoreçam o excesso de molhamento predisponente à infecção é outra recomendação para o combate à doença, bem como a aplicação de fungicidas específicos.

Em híbridos suscetíveis, áreas de monocultura e safras com dias consecutivos de chuva, a aplicação de fungicidas específicos é indicada como estratégia fundamental.

  • Mancha branca

A primeira incidência da doença no Brasil ocorreu no final dos anos 80. Nas lesões iniciais, o agente etiológico predominante é a bactéria Pantoea ananatis. No tecido necrosado, há predominância do fungo Phaeosphaeria maydis.

Além do Brasil, existem relatos de prejuízos gerados pela mancha branca também na Índia e na América do Norte. Também chamada de "pinta branca", a doença gera muito preocupação pela frequência dos ataques na lavouras do país.

Seu desenvolvimento é favorecido em ambientes com temperaturas amenas, entre 15°C e 20°C, com umidade relativa do ar acima de 60%. O plantio tardio também colabora para ataques mais severos da doença, já que as condições climáticas durante o florescimento são as mesmas que contribuem para o desenvolvimento do patógeno. É o momento em que a planta está mais sensível , o que gera também um prejuízo ainda maior.

Assim como acontece com o cercospora, a doença se dissemina através do vento e de respingos de chuva.

Inicialmente, os sintomas são percebidos através de pequenas manchas na cor verde clara ou cloróticas no tecido. Com o passar do tempo, elas crescem e ficam esbranquiçadas e com aspecto seco.

As manchas medem entre 2 e 3 centímetros, sendo encontradas geralmente no limbo foliar, progredindo depois para a base da planta.

Os sintomas começam nas folhas inferiores da planta e, conforme progridem, atacam as folhas superiores e, depois do pendoamento, podem ser percebidos na palha da espiga. A doença gera prejuízos superiores a 60%, principalmente quando encontra as condições climáticas ideias para o seu desenvolvimento.

O uso de híbridos resistentes e a pulverização de fungicida específico nos órgãos aéreos pode reduzir a intensidade da doença são estratégias indicadas para o combate e controle da doença.

Controle das doenças na lavoura de milho

Entre as medidas recomendadas para a realização do manejo de doenças está o investimento em tecnologias que tornem a cultura mais resistente ao ataque.

De modo geral, o manejo de doenças na lavoura do milho, deve incluir:

  • O plantio em época adequada, evitando que os períodos críticos coincidam com condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento das doenças;
  • Uso sementes de boa qualidade e tratadas com fungicidas e
  • A utilização da rotação com culturas não suscetíveis.

O controle químico, feito através do tratamento da cultura suscetível, também é uma medida importante e uma ferramenta eficaz quando se trata da durabilidade das plantas e o controle da disseminação do patógeno das doenças.

Tais medidas possibilitam um benefício imediato ao produtor por reduzir o potencial de inóculo em sua lavoura e contribuir para maior estabilidade da resistência genética.

Tendo em vista a incidência e a severidade das doenças que atacam o milho, a Syngenta conta com a ação de Priori Xtra, indicado para a pulverização preventiva e para o controle de doenças na parte aérea das culturas.

A aplicação preventiva, quando se trata da cercosporiose, deve ocorrer 40 dias após o plantio. Caso seja necessário, a reaplicação deve ocorrer num intervalo de 15 dias.

Com dupla ação, resultado da combinação sistêmica de alta eficiência de triazol e estrobilurina, Priori Xtra tem a melhor performance no combate às doenças, proporcionando a proteção completa para as plantas.

Seus princípios ativos oferecem maior efeito residual e mais tranquilidade para o milhocultor.

A Syngenta possui a mais avançada biotecnologia do mercado, oferecendo alto potencial produtivo aliado à estabilidade, segurança e sanidade de plantas e grãos.

Sempre junto ao produtor no combate às doenças que ameaçam a lavoura, a empresa oferece um portfólio completo para o manejo integrado com soluções e tecnologias para todas as fases de sua cultura. E então, quer experimentar o futuro do milho hoje?

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