Encontros da Operação Praga Zero focam na importância do manejo adequado para conter a pressão de insetos nocivos à lavoura

Aumento da incidência de pragas como percevejo barriga-verde, helicoverpa, vaquinha e elasmo causaram preocupação no plantio da soja. Especialistas buscam enfatizar a importância do momento certo das aplicações, bem como o uso de diferentes modos de ação

12/05/2020 16:10:20

Atualizado:

21/09/2020 14:36:27

O dia a dia no campo é permeado por desafios, e isso não é segredo. Enfrentar fatores externos, como condições climáticas adversas, e problemas como a adaptabilidade de insetos a diferentes regiões, são obstáculos permanentes ao produtor que busca boas produtividades no final de cada safra. Ciente destes desafios, a Operação Praga Zero realizou mais uma etapa de encontros nas principais regiões produtoras do país. Em cada ocasião, observou-se um intenso aprendizado e troca de conhecimentos entre pesquisadores e especialistas da Syngenta com produtores que estão linha de frente do combate às pragas.

O período foi marcado pela alta incidência de pragas como o percevejo barriga-verde (Dichelops melacantus), a vaquinha (Diabrotica speciosa), o cascudinho (Alphitobius diaperinus), a helicoverpa (Helicoverpa armigera) e lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) e a lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus). Segundo o gerente de produtos de inseticidas da Syngenta, Vinicius Zardo, houve uma pressão maior do percevejo barriga-verde em regiões mais quentes, como Mato Grosso e Goiás, causando grande apreensão entre produtores. “Estas regiões enfrentaram um desafio maior desta vez, pois esta é uma praga mais frequente no Paraná e Mato Grosso do Sul. Não é totalmente desconhecida no clima mais quente, mas a pressão foi mais alta do que nos últimos anos”, destaca.

Também foi observado um movimento contrário, por exemplo, com a presença da cigarrinha no sul do Brasil. “Durante esta safra, locais mais temperados passaram a ter problemas com esta praga frequente em clima tropical. Problemas como estes se dão diante da adaptabilidade das espécies a outras condições climáticas, até por conta de concentração de plantio e do volume menor de chuvas”, observa Zardo.

Soja e seus desafios

Segundo o Gerente de Desenvolvimento Técnico de Mercado da Syngenta, Lenildo Pereira, a lagarta-elasmo foi uma das grandes preocupações desta última safra de soja. Seu maior dano é diminuir o estande, o que impacta diretamente na produtividade. “Em uma lavoura com dez plantas por metro, a elasmo pode reduzir a plantação até que fiquem cerca de seis plantas por metro. Ela causa danos tanto na soja intacta quanto na não intacta, sendo maior nesta última”, explica.

Independente da região, a soja também sofreu danos em sua fase vegetativa por conta da alta incidência dos coleópteros, sendo a vaquinha como a espécie mais prejudicial, ao lado do cascudinho. Em todo o país e, em especial, em Mato Grosso, sojicultores também tiveram sérios problemas com a lagarta helicoverpa (Helicoverpa armigera), principalmente na fase vegetativa da planta. A alta incidência de outra grande inimiga, a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), também causou transtornos aos produtores. “Na soja intacta, esta espécie causou grande dano durante a fase vegetativa, enquanto na não intacta, houve ataques tanto na fase vegetativa quanto na reprodutiva”, explica Pereira. “Daí a importância de se fazer um bom manejo em ambas as fases do plantio”, orienta Pereira.

Algumas regiões produtoras também tiveram que enfrentar a pressão das plusias, como a lagarta falsa-medideira (Pseudoplusia includens) e de outras espécies do grupo das Chrysodeixis includens. “Estas geralmente atacam no baixeiro da planta, onde há um maior volume de grãos e onde eles são mais pesados. Quando isso ocorre, não há um enchimento uniforme do grão, o que gera grande perda de produtividade”, alerta.

Pressão do percevejo e falhas de controle

O primeiro mês da safra de milho enfrentou problemas com as lagartas, porém, a incidência dos percevejos atingiu níveis alarmantes. Segundo Pereira, isso ocorreu por conta de falhas no manejo desde o plantio da soja, principalmente pelo fato de muitos produtores terem optado por fazer uma aplicação conjunta de fungicidas e inseticidas em um momento em que a praga já estava instalada.

No cerrado como um todo, 90% das variedades plantadas são variedades de ciclo indeterminadas – que florescem mais cedo, entre 20 e 25 dias, e seguem florescendo durante todo o plantio. Estas são diferentes das variedades determinadas – que florescem com 50 dias, tudo de uma vez. Por esta razão, são variedades de mais fácil manejo.

O percevejo costuma sair da mata e entrar na soja bem no momento em as plantas de variedade indeterminada – que correspondem à maioria plantada – começam a liberar a flor e a fazer a produção de vagem – portanto, com 25 dias. Este é o período em que o percevejo ataca a planta, pois está em busca de alimento de primeira qualidade, que são as vagens recém-formadas. “Ao aguardar o pré-fechamento, ou seja, por volta dos 50 dias para fazer as primeiras aplicações de fungicida e de inseticida, o produtor ficou cerca de 25 dias com o percevejo na área sem fazer a pulverização, esperando o melhor momento de fazer a aplicação conjunta. Ele esperou um longo intervalo e, quando aplicou, já estava perdendo soja”, completa.

Segundo Pereira, é importante que seja feita a dessecação da soja com inseticida, para diminuir a população de percevejo e, na hora em que plantar o milho safrinha, esteja com a população baixa. “Um dos problemas deste ano foi porque poucos agricultores dessecaram”, alerta.

A ameaça do barriga-verde

Este ano, no início do plantio do milho safrinha, as principais regiões produtoras observaram um ataque 5% maior de percevejo barriga-verde, temido por ser muito mais voraz e agressivo que o percevejo marrom. Para Pereira, uma das principais causas para o problema foi por conta das falhas no manejo durante o plantio da soja.

“O barriga-verde é uma praga da soja, que ataca entre o meio e o final do ciclo, e este ano, entrou com muita força no milho safrinha. Diferente do percevejo marrom, que sobe na planta, este fica na parte de baixo, se escondendo também na palhada ou na fissura do solo”, explica.

Enquanto na soja se trabalha com 10 a 15 plantas por metro, no milho, são no máximo três. Ao sair em busca de proteína, o barriga-verde ataca as plantas novas de milho, uma vez que a soja já foi colhida. “Além de sugar todo o alimento, a praga injeta uma toxina letal para a planta, podendo causar desde um perfilhamento, ou um distúrbio fisiológico, até a morte da planta. Por ser mais voraz, pode atacar cinco plantas na sequência e, ao ter três plantas por metro, com uma população alta da praga, pode haver perdas de até 40% da lavoura”, alerta. “É por isso que, para esses casos, é interessante se fazer o tratamento de semente no milho, assim como o bom monitoramento e realizar as aplicações também foliares no milho safrinha”, completa.

Preparo para os desafios do algodão

O bicudo-do-algodeiro segue como o principal inimigo dos cotonicultores. Porém, por conta de sua complexidade, o algodão também tem como desafio enfrentar mais uma série de outras pragas, tais como diversas espécies de lagartas do gênero spodoptera – entre elas, a helicoverpa (Helicoverpa armigera) e, principalmente, a lagarta-do-cartucho (Spodoptera fugiperda).

Ciente de todos estes desafios desta cultura, a equipe da Operação Praga Zero está reforçando entre produtores a importância da rotação de ativos na lavoura. “Hoje vemos o produtor se apoiando muito no uso de apenas um ingrediente ativo e estamos incentivando a rotação de produtos para evitar uma eventual resistência”, observa Zardo.

A Syngenta conta atualmente com quatro produtos, com quatro modos de ação distintos, essenciais para se evitar a resistência. “Enquanto para o controle do percevejo orientamos três aplicações, para o controle do bicudo deve-se fazer entre 16 e 20 aplicações. O bicudo é uma praga difícil de ser manejada e tem um potencial de dano muito alto. Enfim, para fazer esse controle, ele precisa ter o maior número de ferramentas possíveis na mão dele para não ter um problema futuro, até mesmo porque a busca por qualidade é muito importante para o cotonicultor”, enfatiza Zardo.

Com iniciativas como esta, a Syngenta busca levar a mensagem correta para melhor utilização das tecnologias disponíveis no controle das pragas, com uma análise profunda dos desafios de cada região. “Nosso objetivo é justamente este: munir quem está na linha de frente com ferramentas, recursos e conhecimento, dando-lhes apoio nos problemas que possam surgir”, completa o especialista da Syngenta.

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