Combate às lagartas de difícil controle já é realidade

Comuns em todos os períodos de desenvolvimento da soja, as pragas geram prejuízo e comprometem a produtividade

03/06/2020 15:23:05

Atualizado:

01/07/2020 16:55:48

Lagartas de difícil controle geram prejuízos e comprometem a produtividade da soja

A cultura da soja no Brasil possui um grande impacto econômico e social, principalmente porque a expectativa é de que o  país se torne, em 2020, o maior produtor do grão em todo o mundo. Este resultado reforça a importância da produção para o mercado interno, na geração de renda e emprego de muitas famílias e na imagem da nossa produção mundial.

Para obter resultados como os que o país alcançou, é preciso investir no monitoramento da lavoura, identificação correta de pragas e outros inimigos naturais que podem comprometer a produtividade da cultura, gerando grandes prejuízos ao agricultor.

O que poderia ser um revés para os números positivos que a cultura tem gerado para o país e para os produtores são as pragas que se instalam nas lavouras e reduzem a produtividade, além de aumentar o custo de produção. Uma conta que não fecha na hora de comercializar o produto.

É o caso dos danos causados por lagartas na soja, que se alimentam das folhas das plantas e comprometem o desenvolvimento da cultura. Conhecer essas pragas, saber o momento certo de agir e como realizar este combate é essencial para garantir bons resultados para sua lavoura.

O cultivo de soja no país

Segunda a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), a soja passou a ser vista como um produto comercial importante para o Brasil no início da década de 70. Naquele período, o trigo era a principal cultura, enquanto a soja era uma opção para ser semeada depois de sua colheita, no verão. Este momento também foi marcado pelo crescimento na produção de suínos e aves, que consumiam o farelo da soja e, com isso, geravam demanda para a cultura.

No final dos anos 90, a produção da soja se tornou uma necessidade estratégica de fato, já que os valores pagos pelo produto no mercado externo despertaram o interesse dos produtores, que passaram a adotar a cultura como principal fonte de renda.

Por ser colhida no período da entressafra norte-americana, a produção brasileira tinha espaço no mercado, bons preços e passou a ser vista com outros olhos. Neste momento, ocorreram mais investimentos em tecnologia para a adaptação da cultura às condições climáticas brasileiras.

As adaptações resultantes do investimento em pesquisa e tecnologia para adequar a cultura da soja ao clima tropical brasileiro marcaram a história da soja ao redor de todo o globo e isso, já a partir dos anos 90, abriu as portas para o Brasil no mercado internacional.

Entre os principais estados produtores da cultura no país, quem possui as maiores áreas cultivadas é o Mato Grosso, sendo responsável por 28% da produção de soja brasileira. Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o estado produziu 34,71 milhões de toneladas do grão na safra 2019/20. O segundo colocado no ranking, o Paraná, registrou 20,74 milhões de toneladas da oleaginosa no mesmo período.

De olho num futuro um pouco mais distante, segundo o USDA, Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a produção mundial deve gerar mais de 2,22 bilhões de toneladas de grãos, entre eles milho, trigo, soja e arroz, uma alta de 2% na comparação com a safra anterior.

Voltando os olhares especificamente para a produção de soja, a produção mundial vai contabilizar as 362,7 milhões de toneladas, aumento de 26 milhões de toneladas na safra 2020/2021. Nesta conta, o Brasil deve contribuir com 131 milhões de toneladas, mais um novo recorde de produção do país.

Soja: identificando as ameaças

A cultura da soja está sujeita ao ataque de insetos desde o plantio até o momento da colheita, e é durante o seu desenvolvimento que as pragas mais ameaçadoras incidem na lavoura. Reconhecer essas ameaças o quanto antes, é a melhor forma de evitar que a cultura sofra danos econômicos.

Consideradas inimigas das lavouras, as lagartas estão entre as pragas que mais causam danos aos sojicultores. Muitas vezes de difícil percepção, elas podem comprometer grande parte da cultura se não identificadas no início do ataque. Entre as lagartas que mais causam prejuízos à soja, destacam-se:

  • Lagarta falsa-medideira (Chrysodeixis includens)

A espécie mais importante no complexo de falsas-medideiras, a Chrysodeixis includens possui o nome popular pela forma que se desloca, por ter apenas dois pares de pernas na parte da frente do corpo e um par na calda. A lagarta se locomove como se estivesse medindo algo com um palmo, se esticando e se encolhendo.

Desde o ano 2000, a falsa medideira se tornou uma praga que causa danos importantes e expressivos na lavoura de soja, o que passou a exigir dos agricultores ainda mais cuidado e atenção na hora de realizar o manejo.

O ciclo de vida da lagarta, do ovo até a fase adulta, dura cerca de um mês, e os nutrientes dos alimentos encontrados e consumidos pelo inseto durante esse período podem interferir na duração do ciclo.

Quando se trata da soja, a fêmea coloca os ovos, de cor amarelada, na parte inferior das folhas da planta e estes eclodem em até 5 dias. Durante a vida, cada fêmea põe, em média, 700 ovos. 

Depois da eclosão, a fase larval ocorre em até 20 dias, sendo esse período de crescimento e transformação em inseto adulto o momento em que a praga gera mais danos para a plantação. A lagarta pode ter até 5 cm antes de se tornar uma mariposa.

O clima seco e quente contribui para o ritmo acelerado do desenvolvimento da falsa-medideira, o que resulta também no crescimento populacional da praga, causando grandes infestações favorecidas pela baixa umidade do ar e temperaturas elevadas. Ou seja, o clima úmido e temperaturas baixas desfavorecem o ataque da lagarta.

A falsa-medideira ataca causando a desfolha das plantas, destruindo completamente o limbo foliar, e pode comprometer até 60% da produção. No início de seu ciclo de vida, elas raspam as folhas e, conforme se desenvolvem, se alimentam de todo o limbo, deixando para trás apenas as nervuras.

As folhas atacadas ficam com aparência de renda, uma característica que ajuda na identificação da incidência da praga na lavoura. Em um dia, uma lagarta pode consumir até 100 cm² de folha.

  • Helicoverpa (Helicoverpa armigera)

De nome científico Helicoverpa armigera, a lagarta helicoverpa é uma praga emergente, isto é, possui hábitos subterrâneos, o que a torna uma ameaça ainda mais complexa de ser combatida. Comum em todas as regiões produtoras de soja no Brasil desde 2013, ela possui grande potencial destrutivo.

A praga causa danos à vagem da planta, pois se alimenta exatamente da parte colhida pelo produtor, a semente. Podendo ser facilmente confundida com a Helicoverpa zea, a lagarta também é comum em plantações de milho, ponto que reforça a importância do manejo preventivo realizado durante a rotação de culturas.

As fêmeas abrigam os ovos na parte inferior do tecido foliar e estes levam até 5 dias para eclodir. A aparência amarelada bastante vibrante escurece conforme o momento de eclosão da larva se aproxima.

Depois de eclodir, as larvas, que não possuem uma cor específica, já que isso depende de sua alimentação ao longo do processo de desenvolvimento, passam por cerca de seis períodos larvais até que se tornem mariposas na fase adulta.

O crescimento da lagarta é beneficiado por ambientes com clima seco e temperaturas elevadas, mas a espécie é resistente e sobrevive também em climas frios e ao excesso de calor.

O ataque da praga pode ser percebido a partir da preferência da lagarta pelas estruturas de reprodução da planta, ou seja, vagens, espigas e flores. Trata-se de uma espécie polífaga, ou seja, que se alimenta dos mais diversos tipos de alimentos, e os danos causados à soja podem chegar aos 40%.

  • Lagarta das folhas (Spodoptera eridania)

A Spodoptera eridania, também chamada de "Lagarta das vagens" e "corda-de-viola" tem mais incidência na região Centro-Oeste do país, sendo uma praga de final de ciclo na cultura da soja.

O desenvolvimento da lagarta das folhas ocorre num período mais lento, em comparação a outras pragas, além de possuir menor peso pupal e menor razão de crescimento. Os ovos, que lembram pérolas um pouco mais amareladas, são colocados pela fêmea na parte inferior do tecido foliar e a eclosão ocorre 4 dias depois. O ciclo de vida da lagarta dura até 35 dias.

Ao longo de seu desenvolvimento, a lagarta pode ser identificada facilmente, por possuir cor escura e faixas da cor creme ao longo de toda a extensão do corpo, e chega a atingir os 52 mm de comprimento, se movimentando de forma vagarosa.

O ataque é caracterizado pela desfolha das plantas, além do ataque severo às plântulas e vagens. O prejuízo causado pela lagarta pode comprometer até 60% da produção, caso o controle não aconteça de forma assertiva e ágil.

Combatendo as lagartas na lavoura de soja

Entre as medidas eficazes para o combate e controle às lagartas que podem atacar a soja está o monitoramento da lavoura. Compreender o momento da cultura e do desenvolvimento dessas pragas é essencial para escolher as melhores formas de combatê-las, reduzindo assim prejuízos e possibilitando a sanidade da área.

Entre as medidas a serem adotadas pelo produtor rural, o MIP (Manejo Integrado de Pragas) deve ser considerado, já que é uma ferramenta eficaz para garantir a saúde das plantas. Através dessa técnica, além de ter conhecimento sobre quais são as pragas presentes na lavoura, é possível perceber a intensidade do ataque para decidir a tática de controle mais apropriada para o momento.

Para obter os melhores resultados, o manejo de pragas precisa ser constante, com controles de amostragem - feita com o pano-de-batida - para saber o momento certo de realizar o controle.

No caso das lagartas, a quantidade dessas que aparecem nas batidas de pano servem de alerta. No estágio vegetativo, se o agricultor encontrar quatro lagartas da espécie helicoverpa por metro de soja, é hora de agir. No caso da Spodoptera, o número sobe para dez. Já na fase reprodutiva, duas lagartas por metro já podem preocupar.

Em relação à lagarta falsa-medideira, é recomendável iniciar o controle quando encontrar, em média, 20 lagartas grandes por pano-de-batida. Na fase reprodutiva, duas lagartas por metro já podem preocupar. Outro ponto é a desfolha que, se estiver em 30% na fase vegetativa ou 15% na reprodutiva, demonstra a necessidade de aplicações. Além da amostragem, é essencial realizar periodicamente exame visual dos terços mediano e inferior das folhas.

Em busca de melhorar as práticas de manejo realizados no campo e uma ferramenta importante quando o assunto é a incidência de lagartas na lavoura de soja, a Syngenta desenvolveu o Proclaim®, o inseticida mais temido pelas lagartas de difícil controle.

O produto conta com diferenciais que o destacam no combate ao complexo de lagartas, entre eles:

  • Rápida ação de choque: bloqueia a alimentação da lagarta após a aplicação, proporcionando controle superior;
  • Manejo antirresistência: seu modo de ação no controle de lagartas o torna uma ótima ferramenta de manejo de resistência;
  • Ótimo efeito residual: protegendo as folhas por mais tempo, consequência de sua ação translaminar e
  • Seletividade: no tecido foliar, preserva os inimigos naturais.

O diferente modo de ação de Proclaim e sua alta performance, em comparação com outros lagarticidas do mercado, torna-o a solução ideal, já que age contra várias espécies de pragas, possibilitando, assim, flexibilidade de uso e melhor retorno econômico ao produtor.

Além de sua rápida absorção foliar, o movimento translaminar dentro do tecido foliar protege da lavagem pela chuva, proporcionando efeito residual prolongado.

Seu modo de ação é conhecido como ativador dos canais de cloro, sendo o único inseticida com este mecanismo para controle de lagartas.

A fim de contribuir para que o Brasil mantenha o primeiro lugar no posto de maior exportador de soja no mundo, a Syngenta conta com um portfólio completo que auxilia o agricultor no controle de pragas que podem ameaçar o desenvolvimento no campo. Afinal, a Syngenta está conectada a você, produtor rural, dentro e fora do campo.

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