Certificação Aeroagrícola Sustentável (CAS) qualifica empresas do setor que atuam de forma responsável

Além de atualizar conhecimentos, capacitação também endossa qualidade de equipamentos utilizados e compromisso das equipes com a sustentabilidade

02/04/2020 12:46:09

Atualizado:

02/04/2020 12:54:13

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Além de todo o conhecimento técnico necessário para que uma pulverização aérea seja feita de forma correta, também é fundamental que o piloto esteja atualizado em relação a todas as boas práticas que envolvem esse trabalho. Este é o principal objetivo do Programa CAS – Certificação Aeroagrícola Sustentável. Criado em 2013, esta certificação voluntária visa orientar profissionais sobre o conjunto de regras que envolvem a aplicação aérea de defensivos agrícolas, a fim de minimizar qualquer impacto no meio ambiente e resulte em uma pulverização eficaz e segura.

O programa foi desenvolvido pela Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf), com o apoio da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) e em parceria com três instituições de ensino especializadas em pesquisas em tecnologia de aplicação aérea: Faculdade de Ciências Agronômicas/Unesp Botucatu, Universidade Federal de Lavras (UFLA) e Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Imersão no conhecimento

A primeira etapa da certificação é por meio do “Curso CAS de Boas Práticas na Aplicação Aérea de Produtos Fitossanitários”. A imersão teórica dura dois dias, em que são abordadas diversas questões sobre tecnologia de aplicação aérea, com foco nas boas práticas que devem ser seguidas para uma aplicação segura e eficaz. Ao aprender os conceitos teóricos e práticos das boas práticas na aplicação aérea, o participante colabora com a sustentabilidade do setor.

Segundo o Coordenador de Sustentabilidade da Syngenta, Mateus Queiroz, o curso é o primeiro passo para a certificação e reúne uma série de orientações para que as aplicações sejam feitas dentro do padrão, com destaque para a regulagem e calibração adequadas, caracterísitcas dos produtos fitossanitários, meio ambiente e técnicas para redução de deriva nas aplicações. “Entre as recomendações, estão utilizar as técnicas mais seguras de aplicação, manejar as faixas de segurança e orientar quanto aos ajustes e regulagens das aeronaves”, descreve.

Na sequência do curso imersivo, é agendada uma visita à propriedade e às instalações da empresa, em que um representante do CAS verifica se o local atende às exigências para a certificação. Se durante esta auditoria for comprovado que não possui os pré-requisitos mínimos, a empresa não pode se certificar até que se cumpra com as exigências. A equipe do CAS dá toda a assistência e orientação às empresas para cumprirem os requisitos da certificação. Após esta confirmação e obter o selo de certificação, a empresa deve passar por auditoria a cada dois anos. As auditorias têm caráter de orientação e servem para auxiliar as empresas e propriedades a manterem o foco nas condições de trabalho de uma aplicação segura.

Diferencial e benefícios

O CAS é uma das bandeiras da aviação agrícola no Brasil, pois representa um grupo de empresas e produtores com aeronaves próprias que investem no conceito de boas práticas e no uso correto e seguro da tecnologia de aplicação, mostrando para a sociedade que a aviação agrícola pode ser uma opção sustentável e responsável para a aplicação dos defensivos agrícolas.

Esta certificação não é obrigatória hoje em dia, mas há uma tendência de que produtores busquem cada vez mais empresas e pilotos que já sejam certificados. Afinal, conforme ressalta o coordenador na Syngenta, o selo é a comprovação de que o profissional tem conhecimentos aprofundados sobre as boas práticas para uma aplicação segura e eficiente e que suas instalações e seus equipamentos atendem às exigências do setor.

“Atualmente, para tarefas de pulverização em usinas de cana-de-açúcar, por exemplo, são exigidos apenas profissionais certificados para desempenhá-las. Estamos observando que há uma demanda crescente por empresas certificadas, uma vez que o contratante terá garantia de que ela cumprirá todos os requisitos mínimos para aplicações eficientes e seguras”, ressalta.

Este selo, conforme aponta Queiroz, confere à empresa ou ao profissional que ele está ciente de quais pontos devem ser levados em conta para uma aplicação bem feita. “Uma vez certificado, este profissional deverá ter documentado o mapa de voo de sua aeronave, onde e o que ele pulverizou, determinar as faixas de segurança, qual a condição meteorológica no momento da aplicação, entre outras informações. Ele consegue comprovar o quanto pode desempenhar o trabalho com o menor impacto sobre o meio ambiente e isso acaba dando um respaldo maior, tanto para quem está pulverizando quanto para quem contratou o serviço”, completa.

Em 2019, o CAS realizou três cursos sobre "Boas práticas na aplicação aérea de defensivos", o qual é pré-requisito para o processo de certificação. Os cursos reuniram um total de 67 profissionais nas cidades de Porto Alegre (RS), Luis Eduardo Magalhães (BA) e Balsas (MA). As aulas são ministradas pelos coordenadores Ulisses Antoniassi (Unesp – Botucatu), João Paulo Cunha (UFU) e Wellington Carvalho (UFLA). Atualmente, são 55 empresas certificadas – ou seja, que passaram por todo o processo – ou seja, pelo curso e auditoria.

Para fazer parte do Programa CAS, o proponente ou seu representante deverá se inscrever e participar do “Curso CAS de Boas Práticas na Aplicação Aérea de Produtos Fitossanitários”, de acordo com as instruções presentes no site do Programa CAS. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail certificacaocas.fepaf@gmail.com.

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