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As 5 doenças que ameaçam o milho na safra de 2020

27/04/2020 15:49:23

Atualizado:

29/04/2020 15:56:58

Ferrugem-asiática está entre doenças que ameaçam a lavoura de milho

Considerado um dos alimentos mais nutritivos que existem, o milho (Zea mays) se destaca por suas qualidades nutricionais e também por sua versatilidade. Cultivado em diversas regiões do país, é um dos responsáveis pela expansão da atividade agrícola brasileira. 

Sensível às técnicas de cultivo, conhecer a dinâmica das doenças é importante para o manejo das plantas, impactando diretamente em melhores resultados na qualidade dos grãos e produtividade da lavoura.

Além do aproveitamento na alimentação humana, o milho é amplamente utilizado na produção de ração animal, de óleos e etanol, entre outros fins. De alguns anos pra cá, o Brasil tem se destacado no cenário da agricultura global como o segundo maior exportador de grão do mundo.

Esse cenário é reflexo de uma oferta e demanda interna aquecida. Estudos apontam que a paridade de exportação do milho segue em alta devido ao dólar mais elevado, o que contribui tanto para acirrar a competitividade do milho nacional quanto para a alta dos prêmios dos portos, o que evidencia maior interesse sobre o cereal brasileiro.

Para 2020, é esperada uma exportação de milho de aproximadamente 34 milhões de toneladas. Porém, esse número é vinculado ao volume de milho safrinha comercializado antecipadamente, que será destinado para o mercado externo.

A produção total do milho de primeira e segunda safras para a temporada 2019/20 é, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), estimada em 100,1 milhões de toneladas, um crescimento de 0,3% em relação ao período anterior.

Perspectivas positivas:

Estudos do LSPA (Levantamento Sistemático da Produção Agrícola) para a temporada 2019/20 indicam tendência de um maior volume de produção do milho em 2ª safra, devendo esta participar com 71,7% da produção nacional para 2020, contra 28,3% de participação da 1ª safra de milho. 

As condições climáticas ideais e o aumento de área de plantio (2,1%) favorecem a melhoria da condição das lavouras, resultando em maior rentabilidade produtiva.

Mato Grosso e Paraná seguem como os dois principais estados produtores de milho na 2ª safra do país.

É importante destacar, também, que o milho é o cereal de maior volume de produção mundial e que o Brasil está entre os principais produtores e exportadores mundiais. 

Há 10 anos, o país detinha apenas 1% do mercado global e agora já é responsável por 25% do total mundial das vendas.

O ano de 2019 ganhou destaque no cenário internacional com o embarque de 44,9 milhões de toneladas, um crescimento de 88% em relação ao ano anterior.  

O número superou inclusive os Estados Unidos, apontado como um dos grandes no mercado mundial.

Para que o Brasil continue emplacando sucessivos recordes de produção do grão, é imprescindível ter um manejo correto na cultura, bem como cuidados em todos os estádios fenológicos, desde os primeiros dias no vegetativo até a colheita, prevenindo a lavoura de sérios problemas ocasionados por doenças

Elas são as grandes responsáveis por comprometerem drasticamente a produtividade do milho. Conhecer a altitude de cada região e as características de cada uma das doenças - e como afetam o desenvolvimento do híbrido - é um diferencial no ganho de produção.

Milho: as 5 principais doenças da lavoura

O plantio do milho safrinha nos primeiros meses do ano representa uma opção para o incremento na renda dos agricultores, mas ao mesmo tempo exige maior atenção quanto às técnicas de manejo de doenças.

Em função das adversidades climáticas na época de plantio do milho safrinha, as plantas estão mais suscetíveis ao ataque de doenças. 

O conhecimento da dinâmica das doenças no campo e a interferências dos fatores climáticos em seu desenvolvimento é de grande importância para um manejo fitopatológico adequado das plantas.

Com o objetivo de proporcionar um manejo eficiente e consciente do milho e, consequentemente, maior produtividade e rentabilidade, a Syngenta esclarece as 5 principais doenças das lavouras. Confira:

 

  1. Cercosporiose (Cercospora zeae-maydis, C. zeina)

Considerada uma das doenças com maior importância econômica na cultura do milho por causar perdas superiores a 80% na lavoura, a Cercosporiose (Cercospora zeae-maydis) foi observada inicialmente no sudoeste de Goiás, na década de 2000.

Sintomas:

Os primeiros sintomas nas folhas inferiores são pequenas manchas amareladas de tecido plesionecrótico, de 1 a 3 mm de comprimento, e de forma retangular.

Posteriormente, mantém a forma retangular (2 a 4 mm de largura por 1 a 7 cm de comprimento), de cor parda até que a esporulação do fungo sob condições de clima úmido produza tom acinzentado (dessa decorre o nome comum de mancha cinzenta).

Lesões em bainhas foliares, colmos e brácteas da espiga, sobretudo no ápice, ocorrem em lavouras severamente afetadas.

Epidemiologia:

O resto cultural infectado é a principal fonte de inóculo primário em semeadura direta e monocultura.

Os conídios do fungo são transportados pelo vento a partir dessa fonte de inóculo. Os sítios primários de infecção são as folhas inferiores que estão próximas da fonte de inóculo.

Temperaturas entre 22 a 30°C e períodos prolongados de orvalho são ideais para infecção.

Dias chuvosos, o céu encoberto e umidade relativa do ar elevada são condições predisponentes.

Controle:

A principal medida de controle é o uso de híbrido resistente.

Rotação de culturas e evitar sucessão de milho (milho segunda safra) sobre palha infectada interferem na densidade de inóculo do fungo.

É recomendado, também, evitar alta população de plantas que favoreçam o excesso de molhamento predisponente à infecção.

Em híbridos susceptíveis, áreas de monocultura e safras com dias consecutivos de chuva, a aplicação de fungicidas específicos é indicada como estratégia fundamental.

 

  1. Mancha branca (Phaeosphaeria maydis e Pantoea ananatis)

Considerada uma das principais doenças do milho, presente em praticamente todas as regiões produtoras do Brasil, a mancha branca foliar (Phaeosphaeria maydis) pode levar a uma redução de até 60% dos grãos, dependendo do dano. 

Sintomas:

São lesões arredondadas (0,5 a 1,5 cm de diâmetro), inicialmente de coloração verde-esmaecido ou cloróticas com aspecto de anasarca e, posteriormente, de cor parda, com bordo definido de cor escura.

Em híbridos susceptíveis, as folhas apresentam área foliar destruída pela coalescência das lesões.

As lesões da mancha branca podem ser confundidas com a injúria causada pela deriva do herbicida paraquat.

Epidemiologia:

São mencionados dois agentes causais: o fungo Phaeosphaeria maydis (anamorfo Phyllosticta maydis) e a bactéria Pantoea ananatis.

Nas lesões iniciais, o agente etiológico predominante é a bactéria. No tecido necrosado, há predominância do fungo.

A semelhança de outros patógenos necrotróficos deve sobreviver na fase saprofítica nos restos culturais. Sua presença na semente não é relatada.

A evolução rápida dos sintomas provoca epidemia da doença em poucos dias.

Controle:

A melhor medida de controle é o uso de híbridos resistentes. 

A pulverização de fungicida específico nos órgãos aéreos pode reduzir a intensidade da doença.

 

  1. Ferrugem polissora (Puccinia polysora)

A ocorrência da doença é dependente da altitude, ocorrendo com maior intensidade em altitudes abaixo de 700m, onde predominam temperaturas mais elevadas (25 a 35oC).

A ferrugem polissora foi observada pela primeira vez na África, em 1949. No Brasil, mais precisamente no estado de São Paulo, foi vista pela primeira vez no final da década de 80, causando seca prematura de cultivares suscetíveis.

Sintomas:

Os sintomas se manifestam na forma de numerosas pústulas pequenas, que podem medir de 0,2 a 2,0 mm de diâmetro, circulares, de cor laranja-vermelho sobre folhas e demais órgãos verdes.

As pústulas são formadas mais facilmente na face superior do limbo foliar do milho. 

Os sintomas em folhas podem ser observados em qualquer estádio de desenvolvimento da planta.

Em híbridos suscetíveis, pode haver desenvolvimento de pústulas em bainhas foliares e no pendão.

Epidemiologia:

O inóculo do fungo é constituído por uredosporos produzidos em plantas voluntárias de milho e plantas durante a estação de cultivo.

A disseminação dos uredosporos ocorre pelo vento a longas distâncias.  

Controle:

As medidas de controle dessa ferrugem se concentram no uso de híbrido resistente e na aplicação de fungicida sistêmico nos órgãos aéreos.

 

  1. Helmintosporiose (Exserohilum turcicum)

Com perdas que podem atingir até 50% da lavoura antes do período de floração, a Helmintosporiose (Exserohilum turcicum) foi descoberta pela primeira vez em 1876 e, atualmente, atinge diferentes regiões do mundo. 

Sintomas:

Os sintomas iniciais surgem nas folhas inferiores, como lesões foliares de formato elíptico e alongado, variando o comprimento (2,5 a 15,0 cm), predominantemente de cor cinza, às vezes verde-acinzentadas ou pardas. 

Em infecções severas, o número de lesões por folha aumenta, podendo levar à morte prematura da planta. 

Sobre as lesões foliares, o fungo esporula em condições favoráveis de molhamento e temperatura, produzindo uma massa de esporos de coloração verde-oliva a preta.

Algumas lesões podem se formar externamente sobre a palha da espiga.

Epidemiologia:

As principais fontes de inóculo são sementes e restos culturais infectados, hospedeiros secundários (sorgo, capim massarambá, sorgo de alepo, capim sudão e teosinto).

Conídios produzidos na palha são disseminados pelo vento e respingos de chuva até as folhas.

Temperaturas em torno de 20°C e 8h de molhamento foliar são requeridas para infecção.

Sobre as lesões, o fungo produz conídios que são transportados pelo vento até novas folhas. Noites com orvalho contínuo favorecem a penetração do patógeno.

Controle:

As estratégias de controle se concentram no uso de híbridos resistentes, rotação de culturas, eliminação de hospedeiros secundários e aplicação de fungicida nos órgãos aéreos.

Outras medidas incluem uso de semente sadia, evitar o cultivo próximos a áreas infectadas, a alta população de plantas e o excesso de molhamento foliar.

 

  1. Diplodia (Stenocarpela macrospora)

Perigoso agente causador de grãos ardidos, a Diplodia (Stenocarpela macrospora) pode gerar grandes prejuízos na lavoura de milho. Relatada pela primeira vez em 1935, sua ocorrência e severidade nessa cultura aumentaram expressivamente nos últimos anos.

Sintomas:

No primeiro e segundo entrenó, as plantas infectadas apresentam lesões externas no colmo de cor pardo-escura, de forma localizada, iniciando preferencialmente no nó.

O colmo internamente apresenta cor escura. Há pouca deterioração interna quando comparado com a antracnose.

Presença de picnídios, subepidérmicos, pequenos, pardo-negros, agrupados nas lesões próximas aos tecidos dos nós podem ser observados na colheita e nos restos culturais.

Epidemiologia:

Os fungos sobrevivem nas sementes de milho e nos restos culturais infectados que permanecem na lavoura após a colheita.

Quando predominam temperaturas acima de 25°C e clima úmido, os esporos são liberados dos picnídios na forma de cirro, que são transportados pelos respingos d’água e vento até a base dos colmos, axilas foliares e base da espiga.

Controle:

O controle integrado tem preconizado o uso de sementes sadias, tratamento de sementes com fungicida específico, rotação de culturas, utilização adequada da população de plantas e equilíbrio nutricional, principalmente evitando excesso de nitrogênio e baixos níveis de potássio.

De um modo geral, as principais medidas recomendadas para a redução do potencial dos inóculos das doenças são: o uso de cultivares resistentes, rotação de culturas e aplicação de fungicidas. 

 

Syngenta: junto do agricultor no combate às doenças do milho

Com você viu, a produção de milho é uma prática que exige muita técnica de cultivo e sensibilidade a diferentes doenças. Por isso, é importante que o agricultor escolha os métodos adequados para aumentar a produtividade. Afinal, a qualidade da produção é essencial para garantir boas margens de lucro na hora de comercializar o produto. 

De modo geral, várias medidas são sugeridas para o manejo de doenças na cultura do milho, entre elas:

  • O plantio em época adequada, evitando que os períodos críticos para a produção não coincidam com condições ambientais mais favoráveis ao desenvolvimento das doenças;
  • A utilização de sementes de boa qualidade e tratadas com fungicidas;
  • A utilização da rotação com culturas não suscetíveis.

Essas medidas possibilitam um benefício imediato ao produtor por reduzir o potencial de inóculo em sua lavoura e, ainda, por contribuírem para uma maior durabilidade e estabilidade da resistência genética presentes nas cultivares.

A Syngenta conta com a mais avançada biotecnologia do mercado, oferecendo alto potencial produtivo aliado à estabilidade, segurança e sanidade de plantas e grãos.

Agora que você já conhece as 5 principais doenças que ameaçam a lavoura de milho, é importante ressaltar que, ao identificar os fungos que podem causar problemas à sua cultura, você deve tomar algumas medidas de manejo corretas para obter maior produtividade e qualidade dos grãos.

Para proteger suas safras de milho das principais doenças, a Syngenta conta com diferentes soluções que são referência no mercado, desenvolvidas com altíssima mobilidade e eficácia, entregando a melhor performance no complexo de manchas, além de um efeito residual mais prolongado.

Com seu profundo conhecimento sobre as plantas, a empresa tem uma posição de destaque na indicação das melhores soluções de manejo e conta com um portfólio completo por meio de sua linha de fungicidas, herbicidas e inseticidas. 

E então, quer experimentar o futuro do milho hoje, com a Syngenta? Acesse nosso site e saiba mais sobre nossas soluções para sua lavoura. 

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