Conhecendo e manejando a lagarta Helicoverpa armigera em soja

José R. Salvadori¹; Crislaine S. Suzana²

¹ Professor de Entomologia, PPGAgro/FAMV/UPF, Passo Fundo - RS, salvadori@upf.br.

² Doutoranda, PPGAgro/FAMV/UPF, bolsista CAPES.

13/03/2017 - 10h11 • Atualizado há 25 minutos

O reconhecimento morfológico das diferentes fases biológicas de H. armigera já não se apresenta como tarefa com alto grau de dificuldade, como ocorreu logo após a invasão da praga. O que precisa ser melhor considerado são outros aspectos da bioecologia da espécie. O potencial de reprodução H. armigera é, reconhecidamente, elevado. Em média, uma mariposa pode colocar mais de 1000 ovos, em toda a sua vida. Em laboratório, tem-se observado que uma mariposa pode durar em torno de 10-12 dias e que viabilidade dos ovos é muito alta, geralmente, de próxima a 100%. A duração do ciclo de vida que, conforme as citações da literatura varia de 30 a 60 dias, permite que várias gerações sucessivas se completem durante a safra de soja. Constatou-se que em pleno verão (janeiro-fevereiro), nos períodos de temperaturas mais elevadas na estação, uma geração da espécie pode se completar em apenas 30 dias. Estes atributos biológicos inatos, ou seja, alta prolificidade, alta taxa de fertilidade e ciclo curto, conferem à espécie potencial para fazer com que a população cresça rapidamente. No entanto, o crescimento populacional não é fruto apenas do potencial de reprodução, ou seja, da quantidade de indivíduos produzidos num certo intervalo de tempo. A própria natureza impõe freios a este crescimento. Assim, a quantidade de lagartas que ocorre numa determinada safra é dada pela diferença entre velocidade e capacidade de reprodução e a mortalidade, ou seja, o número de indivíduos que sobrevivem. Neste balanço, a quantidade e a qualidade do alimento (no caso, as espécies e os órgãos das plantas nas quais as lagartas se alimentam), o clima e os inimigos que comem ou usam H. armigera para sobreviver, desempenham papel determinante.